Impresso
"O Real Combo Lisbonense prepara-se para conquistar Lisboa com a sua música de baile. Mas não há razão para receios: o repertório deste grupo de 11 músicos, dirigido por João Paulo Feliciano, é composto por um cocktail de ritmos latino-americanos e africanos, melodias da canção popular europeia, jazz, twist, ié-ié e rock’n’roll. As referências pertencem, portanto, aos anos 50 e 60, quando as orquestras e os conjuntos musicais aqueciam o coração frio do país." "Apanhámos o Real Combo Lisbonense a cantar bossa yé yé e vimos mais que canções esquecidas do Portugal da década de 1960. (...) O Real Combo Lisbonense, banda montada por João Paulo Feliciano e o irmão Mário Feliciano, anda a mostrar canções que alguns já não se lembravam que existiam, que outros descobrem como se fossem inventadas agora. (...) Olharam para trás, para um passado esquecido da música portuguesa e recuperaram-no: não é um movimento meramente nostálgico, não é só preservação de memória, não é coisa kitsch." "Os Real Combo Lisbonense são uma festa em concerto. Pegam no cosmopolitismo possível do Portugal dos anos 1960 e, com o swing do yé-yé, com a bossa-nova que é também yé-yé e bossa que é fado, com a castiça "Borracha do Rocha" (original do Conjunto de Mário Simões) e o romantismo de "Dois Estranhos" (de Fernanda Ferreirinha com o Conjunto Shegundo Galarza), transformam-se num baile à antiga a que nos entregamos sem pudor e com toda a inocência." "Uma das coisas mais refrescantes que se pode ouvir no dia de hoje não quer ser mais do que a revisão de um imaginário com mais de 40 anos. (...) Vestiram-se e musicaram-se a rigor para, em meia-dúzia de versões, fazer felicidade. Abençoados." "Clássicos de sempre para dançar num coreto, num casino, num hotel ou num restaurante perto de si. O Real Combo Lisbonense é a primeira falsa "fifties dance band" portuguesa. (...) Aquilo que, em versão caricatural, Os Tornados, de "Twist do Contrabando", ensaiam e os OqueStrada, de "Tasca Beat", cinematizam e gloriosamente baralham, o Real Combo Lisbonense, assumindo a pose de "first all portuguese fake fifties dance band", junta as pontas soltas do imenso baú de tesouros que as edições "Portugal Deluxe" começaram a revelar (e que, no plano internacional, a monumental enciclopédia "Ultra Lounge" arrancou das trevas), puxa o lustro a meia dúzia de suaves frivolidades de Eugénio Pepe, Frederico Valério, Artur Ribeiro, Carlos Canelhas, Byron Gay e Mário Simões (o insano surrealismo de casino de 'A Borracha do Rocha') e, tão naturalmente como quem, todos os dias, tropeça em Thurston Moore à porta da tabacaria, projecta-as como novas para o enorme coreto do arraial pós-neo-alter-moderno do admirável mundo velho." "A ruptura com os mimetismos mais directos dos modelos import/export que caracterizaram muita da actividade do Portugal pop de finais de noventa e chegada do milénio conhece agora novo e importante episódio através da chegada de um disco que mostra sinais de uma outra redescoberta: a da memória concreta de canções que nas décadas de cinquenta e sessenta inventavam, à sua maneira, uma identidade pop portuguesa." "O Real Combo Lisbonense é o mais recente projecto do músico e artista visual João Paulo Feliciano. É também um grupo singular, entre o conjunto de baile e a banda pop." "A ideia de constituir um grupo que recuperasse este espírito dos anos passados surgiu no início de 2008 e foi com base no colectivo do Rio de Janeiro, Orquestra Imperial, que o grupo português começou a ganhar forma." "São 11 cantores e instrumentistas, suficientes para dar corpo a uma equipa de futebol mas motivados por um objectivo bem distinto: o de recuperar os sons e o universo cénico da Lisboa pós Segunda Guerra Mundial, época em que a capital começava a abrir os braços à música vinda de África e da América Latina, com o Brasil à cabeça. É nessa bolha espácio-temporal que os Real Combo Lisbonense, uma das bandas recrutadas para a série Optimus Discos, têm orgulho de operar, ainda que com os pés firmemente assentes no século XXI. (...) Abandone-se à sua dança." "Quando onze músicos limpam o pó aos discos antigos, põem pérolas da música portuguesa dos anos 50 e 60 a apanhar ar e eliminam qualquer vestígio de naftalina de instrumentos vintage, isso só podia acabar em festa. Ou em bailarico." |
Online
"Neste seu primeiro EP, editado pela Optimus Discos, que pode ser sacado na página da editora ou adquirido a baixo custo numa qualquer Fnac, encontramos, dois grandes clássicos da musica nacional e quatro pérolas. Canções que adornam de forma sublime este registo, dando-lhe brilho, sem perder por um minuto a coerência."
Nuno Ávila, in Santos da Casa "João Paulo Feliciano (em tempos a alma dos Tina and The Top Ten) surge frente a um combo instrumentalmente competente, que neste EP de estreia traz ao século XXI a redescoberta de canções de Eugénio Pepe ou Frederico Valério, o belo Sensatez (que em 1966 Simone de Oliveira gravou com o Thilo's Combo) ou o hilariante A Borracha do Rocha (original do conjunto de Mário Simões), que pede a pés juntos que se transforme num clássico dançante da rentrée… Que venha a seguir um álbum… E com toda a dose de reencontros, uma merecida investida de arqueologia editorial de memórias de um outro Portugal musical pop que há muito anda esquecido." "Um disco que tem feito as minhas delícias é a compilação de canções pop portuguesas dos anos 50 e 60, da responsabilidade do Real Combo Lisbonense. (…) "Depois da lusofobia. (..) "São seis canções resgatadas ao baú da canção portuguesa, mas não só - a banda admite influências do fado e do folclore, do yé-yé e do twist, de África e da América Latina. O charme de "Sensatez", o humor de "A Borracha do Rocha" ou o festim de "O Fado é Bom para Xuxú" esperam por si no website da Optimus Discos. É grátis, e bom." |